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DOCUMENTAL “VIA DE ACESSO”

LA ANTROPÓLOGA NATHALIE MANSOUX HABLA SOBRE SU ÚLTIMO DOCUMENTAL

Fuente: Antropodocus

INTRODUÇÃO / INTRODUCCIÓN

Cheguei em 1997 em Portugal para terminar a minha licenciatura em Antropologia Social (da Universidade de Paris X – Nanterre) no ISCTE, no âmbito do programa Erasmus. Antes tinha estudado história durante dois anos.
Em 1999-2000 fui um ano para México com colegas do ISCTE para realizar um documentário sobre narrativas de tradição oral. Gravámos vários, dos quais só um foi montado e acabado. Estreou em Portugal no Festival Ovarvídeo e no Festival da Malaposta em 2001.
Em 2000 – 2001 estive em Paris onde trabalhei como assistente de produção e assistente de montagem em duas produtoras e trabalhei na videoteca do Festival du Cinema du Réel.
Desde 2002 vivo de tradução e legendagem para a Cinemateca Portuguesa e vários festivais (IndieLisboa, DocLisboa, Monstra, Retrospectiva Guy Debord).
Trabalhei também como assistente de realização no filme Ruas de Amargura, de Rui Simões.
Antes deste filme escrevi (e reescrevi) um projecto de documentário, sobre a legalização da IVG, mas não recebi o apoio do ICAM e não foi a frente. Consegui realizar Via de Acesso com o apoio de muitas pessoas, nomeadamente da montadora, Justine Lemahieu, que trabalhou durante dez meses sem receber.


O FILME / EL DOCUMENTAL

Desde as minhas primeiras estadias em Lisboa, assisti à erradicação de vários bairros e à explosão de bairros sociais, condomínios de luxo e infra-estruturas rodoviárias na paisagem urbana. Fiquei atraída e chocada porque me parecia que nada se tinha aprendido da experiência de outros países europeus que realojaram pessimamente a sua mão-de-obra imigrante há décadas. Vinha de França onde o tema da imigração já estava muito falado em filmes, debates, etc. e parecia-me estranho que em Portugal não houvesse filmes contemporâneos politicamente fortes, a não ser os de Pedro Costa.
Há muito tempo que queria fazer um filme com imigrantes, mas nada era muito concreto até ao dia em que uma amiga da Associação Solidariedade Imigrante contactou-me para manifestar em defesa das famílias desalojadas da Azinhaga dos Besouros. Fui à Assembleia Municipal onde uma quarentena de moradores expuseram a sua situação ao presidente de Câmara, aos vereadores e aos deputados municipais presentes. Perguntei ao presidente de Câmara se podia filmar. Ele impediu-me, de forma muito cordial, explicando que as pessoas exageram em frente à câmara de filmar. E ele desejava que aquela reunião se desenrolasse numa atmosfera “democrática”. Um agente da polícia precisou em seguida que a câmara me seria retirada caso tentasse filmar às escondidas. Após três horas de numerosas intervenções sobre as demolições, a incompreensão manifestada pelos eleitos e a falta de alternativas por eles enunciadas fizeram-me tomar consciência da gravidade da situação.

De Junho 2005 até Agosto 2006 filmei no bairro uma, duas ou três vezes por semana, dependendo da minha disponibilidade e dos acontecimentos, com uma interrupção grande durante a Primavera. Voltei a filmar o bairro, desta vez demolido, em Janeiro, Junho e Setembro de 2007. Acabei as filmagens em Fevereiro de 2008 com as gravações da construção do centro comercial Dolce Vita Tejo.

No princípio filmei com muito entusiasmo, pelas pessoas, pela luta pelo Direito à Habitação. Não tinha um guião definido, mas muita vontade de fazer um filme. O filme estruturou-se na montagem, pelo olhar de Justine e os nossos diálogos.

Em relação às pessoas filmadas, a minha posição não era muito clara, visto que eu me tornei activista do grupo do Direito à Habitação, o que facilitava (ou enganava) a relação com a câmara. Mas eu acreditava na luta e queria mudar alguma coisa…

O FUTURO / EL FUTURO

Quero retomar o filme sobre o aborto, que comecei com Pedro Fidalgo, porque sempre acreditei neste projecto e mesmo que a IVG seja legalizada, as pessoas que filmámos (num bairro social) e encontrámos na altura (durante o processo da Maia no Porto) seguem com muitos problemas não resolvidos, porque são pobres, vivem isoladas, etc.

FICHA TÉCNICA:

BETA SP/DIGITAL – 16/9 – COLOR – 82′

REALIZACIÓN: Nathalie Mansoux
ARGUMENTO: Nathalie Mansoux – Justine Lemahieu
MONTAJE: Justine Lemahieu
IMAGEN: João Pedro Plácido – Nathalie Mansoux – Miguel Sargento
SONIDO DIRECTO: Breno Pentagna – Carlos Mota – Elin Gjelmondsun
POSTPRODUCCIÓN SONIDO: Miguel Cabral – Iván Castañeiras
CORRECCIÓN COLOR: Francisco Costa
PRODUCCIÓN: Nathalie Mansoux
APOYOS: Nucivo – Inde – Real Ficção – Bazar do Video